domingo, 15 de novembro de 2009

Pedido de esclarecimento



É com enorme agrado que vejo serem-me dadas respostas, mesmo que não as que gostaria de ouvir mas partilho com vocês o email que enviei para o MUP e só espero que façamos valer os nossos direitos e a dignidade que se impõe à vida de todos os profissionais e cidadãos.

“Caros colegas
O meu nome é Ana Franco, docente do grupo 550 e gostaria que me explicassem uma coisa que me anda a deixar baralhada.
Fala-se imensa coisa mas o que é certo é que não tenho visto nada regulamentado.
Eu fiquei este ano lectivo efectiva numa escola do distrito de Faro mas sou do distrito de Viana do Castelo e gostaria de saber, se no próximo ano, posso pedir destacamento por aproximação à residência ou só daqui a quatro anos me consigo deslocar.
Agora com isto da mobilidade para ipss's e instituições do ensino especial conforme vem no decreto as restantes opções de mobilidade não me parecem esclarecedoras.
Acho lamentável que os colegas contratados possam ver renovados os seus contratos, coisa que nunca beneficiei nestes últimos anos, por quatro anos e eu tenha que me submeter a ficar presa por 4 anos num local que me priva de tudo e todos que me são próximos. Sei que fui eu quem colocou esta opção mas confesso que nunca o imaginei uma vez que tenho ficado sempre na minha primeira opção na lista de colocações enquanto contratada e vim parar à penúltima como efectiva.
Não vejo ninguém discutir esta questão e gostaria se fosse possível, que me desse os passos necessários a tomar para que possa contornar esta situação e/ou levantassem esta questão através do Vosso blogue.
Inscrevi-me em todos os sites de permuta mas não obtive resposta.
Já entrei em contacto através da DGRHE mas até hoje não obtive qualquer resposta.
Não faço intenções de me privar de viver por esta profissão que gosto muito mas que infelizmente me tem desiludido imenso por toda a sua conjuntura.

Agradecia um feedback a este email, quanto mais não seja a dizer que não sabem se for o caso, porque ficar sem respostas está a enlouquecer-me..."



Agradeço imenso ao colega Ilídio Trindade pela sua resposta, que foi clara e com o respeito que merecemos, coisa que infelizmente não se vê por parte da DGRHE, sindicatos e outros que tais. Nomeadamente o Bloco de Esquerda que criou um email para os professores mas à primeira critica deixaram de me convidar para os seus jantares ou dar qualquer tipo de informação o que me leva a pensar que também não passam de boas ideias mas que na prática são mais do mesmo. Nós que estamos em campo é que percebemos como as coisas acontecem pois sentimo-las de facto na pele.

Em seguimento da resposta do colega Ilídio Trindade reforço-lhe em resposta mais algumas das questões, uma vez que não vejo este assunto esclarecido em lugar nenhum e não me parece que será tratado a menos que as pessoas se manifestem.

Sugerindo-lhe que seria pertinente colocar este assunto em debate no blogue do MUP. Pois não imaginam a quantidade de colegas que vejo deslocarem-se durante 10h de autocarro para poderem visitar a família e não todas as semanas mas com alguma regularidade, pois é fisicamente e financeiramente impossível fazê-lo. Olhando ao número de professoras do sexo feminino que deixam os seus filhos/maridos e pensar que não os acompanham provavelmente durante 4 anos, a mim faz-me pensar bem o que é realmente importante. A maioria das mulheres, como eu a começar a passar a/da idade fértil, encontram-se presas à busca de uma carreira que se pelo menos fosse justa em todos os seus pontos!!!

Tão ou mais importante que uma avaliação é sem dúvida a nossa carreira, o percurso que a mesma tem que fazer até que se dignifique e não vejo ninguém falar nisto o que me preocupa sem dúvida.

Também aqui no meu blogue lanço a questão, a dúvida sobre que país é este, que sistema é este, enfim!

Sei que nas empresas/privado o ritmo e métodos também não são de todo correctos mas efectivamente as pessoas normalmente esforçam-se ou privam-se por uma carreira no privado sempre com objectivos de atingir determinados patamares, coisa que nós não podemos porque estamos sempre dependentes do défice, da economia e qualquer outra coisa que nos coíba de progredir.

6 comentários:

O ovo estrelado disse...

...o que te acontece a ti acontece em muitas outras profissões. Culpe-se o sistema, culpe-se o país que temos mas o certo é que é a realidade.
Ainda assim e dada a plasticidade em termos de local de trabalho, parece-me estranho não haver um colega teu algures perdido numa terra que não lhe diz muito, ansioso por uma oportunidade para voltar a essas terras solarengas. Será que nem mesmo os sindicatos ou o Ministério têm listagens de situações dessa natureza!?...

ALFF disse...

Existem listagem de permutas. Mas enquanto por exemplo em frança, todos os anos os colegas que queiram podem fazer trocas e colocar os seus horários à disposição, nós que gostamos tanto de copiar os países civilizados deviamos também nestas coisas olhar para o exemplo de França. Não só em termos de salários, de número de horas que o professor passa na escola, mesmo ao nível de avaliação etc.
Não há regimes perfeitos e sei que não é fácil agradar a todos mas efectivamente esta situação é insustentável.
Enfim!

O ovo estrelado disse...

...agora que o processo de avaliação acabou numa votação sui generis em que estranhamente o PS optou pela oposição [não tivesse sido ele acérrimo defensor da mesma durante meses!!??] o que se segue?...

ALFF disse...

Caro/a Professor/a,

O retomar dos trabalhos parlamentares nesta nova legislatura foi feito em torno do debate sobre Educação e Carreira Docente.
Para que o trabalho político do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda na área da educação tenha a qualidade que nos é exigida, e para que esse trabalho seja também participado e avaliado por todos os envolvidos e interessados no debate sobre política educativa, retomamos por este meio o contacto e o diálogo com todos os professores e educadores que a nós se dirigiram na anterior legislatura.

A Assembleia da República votou hoje os projectos apresentados pelos diferentes partidos da oposição relativos ao fim da divisão da carreira e ao actual modelo de avaliação.
O resultado da votação será hoje divulgado pela comunicação social – os projectos apresentados pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, que previam quer o fim da divisão da carreira de professor, quer a suspensão do actual modelo de avaliação (o que implicaria a não penalização de qualquer professor ao abrigo deste modelo, ou a contagem das classificações para os efeitos de concurso ou progressão) foram chumbados.
Os restantes projectos que também previam a suspensão, designadamente do PCP e do CDS, foram também chumbados.
As intervenções do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda no debate dessas propostas, de Francisco Louçã, Ana Drago, José Manuel Pureza e Cecília Honório podem ser visualizadas nas respectivas hiperligações.


Da votação de hoje resultou apenas a aprovação do projecto de resolução do PSD. Porque muita desinformação e confusão se tem instalado sobre o que significa esta iniciativa, e muitas dúvidas se criaram sobre as implicações desta votação, aproveitamos para fazer alguns esclarecimentos.

1 . A proposta pelo PSD não define a suspensão do actual modelo de avaliação. Defende sim a substituição no futuro por um outro modelo, mas sem o balizar (ou seja, não acautela a não introdução de quotas, ou dos resultados escolares dos alunos num futuro modelo), e sem acautelar os efeitos das classificações do actual modelo nos futuros concursos ou na progressão na carreira.
O que significa que o modelo de avaliação ainda está em vigor, e que só o Governo pode agora definir o que vai acontecer. Ou seja, o acordo do PS e do PSD vai no sentido de passar um “cheque em branco” ao Governo.

2. A proposta do PSD que foi hoje aprovada é uma recomendação ao Governo. Isto é, não tem carácter vinculativo. O Governo pode ou não cumprir essa recomendação.
Se tivessem sido aprovado projecto de lei do Bloco de Esquerda significaria que a suspensão da avaliação era uma lei da República – logo, imperativa e vinculativa.

3 . Deste debate fica, portanto, muito em aberto. Contudo, se algo aprendemos com este debate na AR foi que ele forçou o Governo a recuar e a mostrar disponibilidade negocial . O que significa que a pressão tem que ser mantida, para que essa negociação tenha resultados reais.

Nesse sentido, acompanharemos com atenção o processo negocial que agora decorre entre Ministério da Educação e os representantes sindicais, e tudo faremos para que este tenha resultados positivos que permitam colocar um ponto final neste lastimável processo.
Contamos, para tal, com a sua participação, crítica ou sugestão – para que possamos cumprir o nosso compromisso político: trabalhar para construir e reforçar uma escola pública democrática e de qualidade.


Com os melhores cumprimentos,

Ana Drago
Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda

ALFF disse...

Ou seja meu amigo,

Não me parece que nada vá mudar!

Este país é uma farsa e cada vez mais me sinto um ET neste contexto da deseducação. Não sei se viste o debate na Assembleia, mas só te posso dizer que com Assembleias destas até é caricato a vacina da gripe A ser prioritária para os orgãos de soberania, pois apagar uns quantos badamecos que só lá vão mandar uns bifes e coisas que interessam não se ouve, penso que seria até uma grande benção para o país

O ovo estrelado disse...

..pois assim parece!!..eu não tinha entendido bem a abastenção do PS no momnto da votação, mas agora depois de ler o que a Ana Drago escreveu já entendo perfeitamente. basicamente o PSD fez um grande favor ao PS, e este sorriu comm uma abstenção dissimulada!...bem, mas seja como for, nada será como nos velhos tempos da Lurdes Rodrigues!! e isso são boas notícias!